DOENÇA DA PELE
 

A acne é uma doença de pele que compromete principalmente adolescentes, é uma doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais, caracteriza-se por lesões inflamadas principalmente em face e tórax.

As manifestações da acne ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo. Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido na acne.

Não existe perfil epidemiológico universal da acne. Aceita-se o fato de que sua prevalência varie entre 35% e 90% nos adolescentes, com incidência de 79 a 95% entre os adolescentes do Ocidente;pode chegar a 100% em ambos os sexos. Em geral, observa-se que a acne acomete 95% dos meninos e 83% das meninas com 16 anos de idade.

O aparecimento é precoce (11 anos para meninas e 12 para meninos), com prevalência maior entre os homens, graças à influência androgênica. A freqüência na população aumenta com a idade e a existência de histórico familiar. Geralmente,sua resolução é espontânea, no final da adolescência ou da segunda década de vida. A acne não faz distinção de classe social. A influência genética na acne é muito importante,acreditando-se que ela seja maior quanto maior for o grau da dermatose. Para acne grau I, essa participação é de 88%; para a grau II, 86%; para a grau III, 100%. Em indivíduos sem acne, a ocorrência familiar é de 40%.

A influência genética ocorre sobre o controle hormonal, a hiperqueratinização folicular e a secreção sebácea, mas não sobre a infecção bacteriana.

MULHER COM ACNE NA IDADE ADULTA NORMAL OU NÃO?

Não é considerado um fato normal. Isso se deve ao fato desse tipo de problema ser comum no início da produção dos hormônios, o que ocorre na adolescência. Geralmente, as causas estão associadas à disfunção hormonal, ou relacionadas com ovários policísticos, ou ainda, aumento de hormônios masculinos!

ACNE NEONATAL

Acne não é exclusividade dos adolescentes e adultos; pode atingir também os bebês. Esse distúrbio aparece com mais freqüência durante a adolescência devido à atividade excessiva das glândulas sebáceas e à obstrução da abertura do folículo pilosebáceo – que dá origem aos cravos –, mas o problema também atinge mais de 30% dos recém-nascidos. A chamada “acne neonatal” é comum entre a terceira e a quarta semanas de vida da criança e pode durar até seis meses.

Esse tipo de acne surge em bebês com predisposição genética, após a liberação dos hormônios maternos durante a gestação, amamentação e período pós-parto. A reação à transferência de hormônios da mãe para o bebê é natural; eles costumam permanecer no organismo da criança por aproximadamente seis meses. Provocam o surgimento de espinhas e pequenos cravos, porém não é aconselhável espremê-los, já que não são graves nem deixam cicatrizes.

As lesões formadas se caracterizam por cravos pretos ou brancos, espinhas avermelhadas e, em casos menos comuns, espinhas com pus. Com raras exceções, os pais não devem se preocupar, já que as acnes costumam desaparecer espontaneamente. O uso de óleos e pomadas para bebês não é recomendado; não são eficientes e podem até agravar o caso.

Outro problema que pode atingir as crianças é a acne infantil, que surge a partir do terceiro mês de vida. As lesões aparecem em maior quantidade e são mais persistentes que a acne neonatal. Elas também costumam desaparecer de modo gradativo em cerca de três anos. O surgimento dessa acne é similar ao dos jovens, já que ocorre devido ao entupimento do folículo (canal do pêlo) e conseqüente liberação do sebo produzido pelas glândulas sebáceas para a superfície da pele.

ACNE E ESTRESSE

Essa relação tornou-se mais clara com a pesquisa realizada em Berlim, publicada em maio de 2002, na qual foi descoberto que as glândulas sebáceas da pele, componentes do folículo pilo-sebáceo, que é a unidade anatômica onde se desenvolve a acne, possuem receptores para neuropeptídios e são acionadas por uma via equivalente à do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal

O hormônio de liberação da corticotropina, um mediador segregado pelo hipotálamo e acionado especialmente em situações de estresse, é biologicamente ativo nas células sebáceas e induz um aumento na síntese dos lipídios sebáceos. Esta é uma etapa preliminar na formação da lesão básica da acne, o comedão (cravo).

Essa descoberta esclarece que existe uma razão fisiológica, para que o estresse intensifique a acne. Como em todos os processos psiconeuroimunológicos, o estímulo parte do nível mental, passa pelo hipotálamo e segue pelos mensageiros químicos hormônio liberador da corticotrofina, hormônio adrenocorticotrófico, adrenalina e cortisol.

ACNE E DIETA

Muitos estudos foram realizados sobre a influencia da dieta na patogenese da acne, com indicios de que a alimentação, de fato, pode influenciar o quadro dessa dermatose. Como ponto de partida, preocupados em detectar a influencia do padrão alimentar sobre a acne vulgar, ha uma tendencia a testar habitos alimentares de povos nao ocidentalizados que, sabidamente, nao tem acne. Em seus padroes alimentares, não se encontram alimentos processados, laticinios, açucares e oleos refinados, sendo eles a base, principalmente, de alimentos frescos, frutas, vegetais, carne, frango e frutos do mar grelhados. Com base nos recentes relatos cientificos, uma afirmação vem se tornando cada vez mais aceita: ha menor incidencia de acne em sociedades nao ocidentalizadas, que e aumentada quando da adoção de dietas ocidentais.

TRATAMENTO ACNE

A acne deve ser tratada desde o começo, de modo a evitar sequelas, que podem ser cicatrizes na pele. O tratamento pode ser feito com medicações de uso local, visando a desobstrução dos folículos e o controle da proliferação bacteriana e da oleosidade. Podem ser usados também medicamentos via oral, dependendo da intensidade do quadro de acne.

O tratamento da acne deve ser orientado por um médico Dermatologista, que é o profissional capacitado para indicar os medicamentos ideais para cada caso.

ISOTRETINOÍNA

A isotretinoína é empregada, com particular interesse, no tratamento da acne cística e acne nodular (Saurat, 1997) e em outros tipos de afecções cutâneas (como por exemplo, pitiríase rubra, queratose e lúpus eritematoso), de forma experimental (Marcus, Coulston, 1996; White,1999; Drugdex, 2001). A acne é uma enfermidade inflamatória dos folículos pilossebáceos da face, das costas e tórax cuja expressão clínica é dependente de vários fatores.

Habitualmente a acne aparece na puberdade, quando a estimulação androgênica promove a hiperprodução de sebo, com hiperqueratinização folicular, colonização por bactérias gram-positivas (Propionibacterium acne) e inflamaçãolocal.

O uso oral de 0,6 a 0,75 mg/kg/dia de isotretinoína por 16 a 35 semanas produz excelente resposta em 90,4% dos pacientes com acne vulgar. Estes resultados foram comprovados por Al-Kahawajan em 1996, em um grupo de pacientes dos quais 56% apresentavam acne moderada resistente à terapia convencional e 14% apresentavam acne cística nodular, sendo que em ambos os casos houve completa remissão da doença.

A maioria dos efeitos adversos envolvendo o uso de retinóides, inclusive a isotretinoína, está relacionada à pele e membranas mucosas, sistema nervoso, músculoesquelético, hematopoiético e linfático, gastrintestinal, cardiorespiratório e geniturinário. Por ser altamente teratogênica, quando administrada no primeiro trimestre de gestação, a isotretinoína pode ocasionar abortos espontâneos ou má formação do feto, sendo estes efeitos também observados quando a gestação ocorre dentro de quatro meses após o término do tratamento (Bigby, Stern,1988; Lebowitz, Berson, 1988; White, 1999). Cerca de 25% dos pacientes em tratamento com isotretinoína apresentam elevação do nível plasmático de triglicérides. A isotretinoína pode provocar ainda uma leve queda da concentração plasmática de HDL colesterol e aumento de LDL e VLDL colesterol. As alterações nos níveis séricos de triglicérides e colesterol são reversíveis com a interrupção do tratamento, normalmente os efeitos colaterais regridem com a interupção da medicação.

IMPORTANTE!

Procure o seu dermatologista para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.

BIBLIOGRAFIA: DINIZ, D.G.A.; LIMA, E.M.; FILHO, N.R.A. Isotretinoína: perfil farmacológico, farmacocinético e analítico. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas. v. 38, p. 415-430, 2002. Costa A, Alchorne MMA, Goldschmidt MCB. Fatores etiopatogênicos da acne vulgar. An Bras Dermatol. 2008;83(5):451-9.Costa A, Lage D, Moises TA. Acne e dieta: verdade ou mito? An Bras Dermatol. 2010;85(3):346-53.

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