Tratamento para estrias: opções para estrias vermelhas e brancas
Resposta direta: o tratamento para estrias depende principalmente da fase em que elas estão. Estrias vermelhas ou arroxeadas, mais recentes, tendem a responder melhor. Estrias brancas, mais antigas, também podem melhorar, mas de forma mais gradual. Em ambos os casos, o objetivo é reduzir a visibilidade, e não apagar a marca por completo.
As estrias são muito comuns em mulheres e homens, em diferentes idades. Elas não representam risco à saúde na maioria das vezes, mas podem incomodar. Neste artigo, explico o que são, por que aparecem, como diferenciá-las da celulite e quais opções o dermatologista pode avaliar no consultório.
O que são estrias
Estrias (em termos médicos, estrias de distensão) são cicatrizes lineares que se formam na derme, a camada intermediária da pele, quando as fibras de colágeno e elastina se rompem ou se reorganizam diante de um estiramento ou de alterações hormonais. Aparecem como linhas paralelas, geralmente no abdome, nos seios, nos quadris, nas coxas, nos glúteos, nos braços e nas costas.
Estrias vermelhas e estrias brancas: qual a diferença
Estrias vermelhas, rosadas ou roxas (fase inicial): são recentes, têm componente inflamatório e vasos sanguíneos mais evidentes. Podem coçar um pouco. É a fase em que o tratamento costuma ter melhor resposta.
Estrias brancas (fase tardia): com o tempo, a cor clareia e a pele fica mais fina e levemente deprimida. A marca se estabiliza e responde de forma mais lenta.
O que causa estrias
Resposta direta: as estrias surgem da combinação entre estiramento da pele, fatores hormonais e predisposição individual. As situações mais associadas são:
Estirão de crescimento na adolescência.
Gestação, especialmente no último trimestre.
Ganho ou perda de peso em pouco tempo.
Aumento rápido de massa muscular.
Uso prolongado de corticoides, por via oral, injetável ou em cremes aplicados por muito tempo na mesma área.
Histórico familiar de estrias.
Doenças hormonais, como a síndrome de Cushing, em que há excesso de cortisol.
Por isso, estrias largas, arroxeadas e que aparecem rapidamente sem uma causa clara merecem avaliação médica antes de qualquer procedimento estético.
Estrias e celulite: qual a diferença
Resposta direta: estrias e celulite são condições diferentes, embora apareçam muitas vezes nas mesmas regiões. A estria é uma alteração da derme, com aspecto de linha. A celulite é uma alteração do relevo da pele, ligada à gordura e aos septos fibrosos do tecido subcutâneo, com aspecto de casca de laranja ou ondulações.
Essa distinção muda o tratamento: o que ajuda na estria nem sempre ajuda na celulite, e vice-versa. Se você quer entender melhor a celulite, veja a página sobre tratamento de celulite no Centro da Pele.

Tratamento para estrias: opções no consultório
Resposta direta: o dermatologista escolhe entre ativos tópicos, tecnologias e, muitas vezes, uma combinação delas, conforme a fase da estria, o fototipo (cor da pele), a região do corpo e o momento de vida da pessoa. Abaixo estão as opções mais usadas.
Ativos tópicos com prescrição
Ácidos como a tretinoína podem ajudar em estrias recentes, por estimularem a renovação da pele e a produção de colágeno. Precisam de orientação médica, podem irritar e não devem ser usados na gestação nem na amamentação sem liberação do médico. Em estrias brancas antigas, o efeito isolado costuma ser pequeno.
Luz pulsada e lasers vasculares
Nas estrias vermelhas, tecnologias que atuam nos vasos sanguíneos podem reduzir o tom avermelhado. A indicação exige cuidado em peles mais escuras, pelo risco de manchas. Para entender as diferenças entre essas tecnologias, leia luz pulsada ou laser: qual tratamento escolher.
Lasers fracionados
Os lasers fracionados, ablativos (como o CO2) ou não ablativos, criam microcolunas de estímulo na pele, que induzem remodelação do colágeno. São usados tanto em estrias vermelhas quanto brancas, em sessões espaçadas, com cuidados de pós-procedimento e fotoproteção.
Microagulhamento e radiofrequência microagulhada
O microagulhamento provoca microlesões controladas que estimulam a produção de colágeno. A radiofrequência microagulhada, como o Morpheus 8, associa as agulhas à energia térmica em profundidade. São alternativas consideradas especialmente em estrias brancas e em peles com maior risco de manchas com laser. Veja mais em microagulhamento para estrias: como funciona e em Morpheus 8 ou microagulhamento: qual escolher.

Outras abordagens
Peelings, intradermoterapia e técnicas de camuflagem (como micropigmentação) podem ter papel em casos selecionados. Cada uma tem indicações e limites, e a decisão deve partir de uma avaliação individual.
O que esperar do tratamento
Resposta direta: a melhora é gradual e parcial. Em geral, são necessárias algumas sessões, com intervalos de semanas, e a avaliação do resultado é feita meses depois. A resposta varia conforme idade da estria, região, tipo de pele e adesão aos cuidados.
Expectativa realista: atenuar cor, largura e textura, não apagar a marca.
Fotoproteção é parte do tratamento, principalmente após lasers e peelings.
Na gestação, a maioria dos procedimentos e ácidos é adiada; o foco é hidratação e acompanhamento.
Tratar a causa, quando existe, vem antes do procedimento estético.
Dá para prevenir estrias?
Resposta direta: não há forma garantida de prevenir estrias, porque a genética e os hormônios têm grande peso. Ainda assim, alguns hábitos ajudam a pele a lidar melhor com as mudanças:
Evitar variações bruscas de peso.
Manter a pele hidratada, o que melhora conforto e elasticidade superficial.
Não usar corticoides por conta própria, nem em creme por longos períodos.
Na gestação, conversar com o obstetra e o dermatologista sobre quais produtos são seguros.
Quando procurar o dermatologista
Vale agendar uma avaliação quando as estrias incomodam, quando são recentes (fase em que a resposta costuma ser melhor) ou quando surgem de forma rápida, largas e arroxeadas, sem causa evidente. Nesse último caso, o objetivo inicial é descartar causas hormonais.
No Centro da Pele, no Morumbi (Vila Andrade, zona sul de São Paulo), a consulta inclui exame da pele, análise da fase das estrias e discussão das opções adequadas para cada caso. Se quiser, agende pelo WhatsApp do site ou pela página de agendamento.
Perguntas frequentes sobre tratamento para estrias
Estria tem cura?
As estrias são uma forma de cicatriz na pele, por isso não costumam desaparecer por completo. O tratamento busca deixá-las menos visíveis, com melhora de cor, largura e textura, e a resposta varia de pessoa para pessoa.
Qual o melhor tratamento para estrias vermelhas?
Não existe um tratamento único para todos. Nas estrias recentes, avermelhadas, costumam ser consideradas opções que atuam na inflamação e nos vasos, como alguns lasers e a luz pulsada, além de ativos tópicos prescritos. A escolha depende do tipo de pele, da região e do histórico de cada pessoa.
Estrias brancas ainda podem ser tratadas?
Sim. As estrias brancas, mais antigas, respondem de forma mais lenta e limitada, mas procedimentos que estimulam a remodelação do colágeno, como microagulhamento, radiofrequência microagulhada e lasers fracionados, podem melhorar textura e aparência ao longo de algumas sessões.
Creme para estrias funciona?
Hidratantes ajudam no conforto da pele, mas os estudos não mostram de forma consistente que cremes de venda livre previnam ou eliminem estrias. Alguns ativos, como a tretinoína, têm efeito em estrias recentes, mas precisam de prescrição e não devem ser usados na gestação.
Estria e celulite são a mesma coisa?
Não. A estria é uma alteração na derme que forma linhas finas e alongadas. A celulite é uma alteração no relevo da pele ligada à gordura e aos septos fibrosos do tecido subcutâneo, com aspecto de casca de laranja. Uma pessoa pode ter as duas, e os tratamentos são diferentes.
Quando as estrias merecem uma avaliação médica?
Quando surgem de forma rápida, são largas e arroxeadas sem causa aparente, aparecem com uso de corticoide ou vêm acompanhadas de ganho de peso no tronco, fraqueza ou pressão alta. Nesses casos, o dermatologista investiga causas hormonais antes de pensar em procedimentos.
Referências
Ud-Din S, McGeorge D, Bayat A. Topical management of striae distensae (stretch marks): prevention and therapy of striae rubrae and albae. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2016;30(2):211-222.
Al-Himdani S, Ud-Din S, Gilmore S, Bayat A. Striae distensae: a comprehensive review and evidence-based evaluation of prophylaxis and treatment. Br J Dermatol. 2014;170(3):527-547.
Créditos das imagens: capa e imagem de materiais médicos — Debora Cartagena, CDC, domínio público, CDC PHIL nº 14538; avaliação dermatológica — acervo do Centro da Pele.
Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica.
Dr. Guilherme Augusto Linzmeyer, médico dermatologista — CRM-SP 137750 / RQE 80973 — Centro da Pele, São Paulo. Mais de 20 anos de experiência em medicina.




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