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Como saber se uma pinta pode ser câncer de pele: sinais de alerta e quando procurar o dermatologista

Guilherme Linzmeyer
há 22 horas
5 min de leitura

Quase todo adulto tem pintas espalhadas pelo corpo, e a imensa maioria delas é benigna. Ainda assim, uma pergunta é frequente no consultório: "essa pinta é normal?". Com a proximidade do verão e da campanha Dezembro Laranja, dedicada à prevenção do câncer de pele, vale entender quais mudanças merecem atenção e por que a avaliação dermatológica faz diferença.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil. A boa notícia é que, quando identificado cedo, costuma ter tratamento mais simples e melhor prognóstico. Por isso, observar a própria pele é um hábito que vale a pena cultivar.

O que é uma pinta (nevo) e quando ela preocupa

Pintas, ou nevos melanocíticos, são acúmulos de melanócitos, as células que produzem o pigmento da pele. Podem estar presentes desde o nascimento ou surgir ao longo da vida, principalmente até a idade adulta jovem.

A preocupação surge quando uma pinta muda. Alteração de tamanho, cor, formato, relevo ou o aparecimento de sintomas, como coceira ou sangramento, são sinais que justificam uma avaliação. Também chama atenção uma lesão nova que surge na vida adulta e se comporta de forma diferente das demais.

A regra ABCDE: um guia para o autoexame

Dermatologistas usam um recurso simples para orientar a observação das pintas, conhecido como regra ABCDE:

  • A – Assimetria: se você dividir a pinta ao meio, as duas metades são diferentes.

  • B – Bordas: contornos irregulares, serrilhados ou mal definidos.

  • C – Cor: presença de várias tonalidades na mesma lesão (marrom, preto, avermelhado, azulado ou esbranquiçado).

  • D – Diâmetro: lesões maiores que cerca de 6 mm merecem atenção, embora melanomas iniciais possam ser menores.

  • E – Evolução: qualquer mudança ao longo do tempo é, talvez, o sinal mais importante.

Nevo com halo marcado para biópsia
Imagem: National Cancer Institute (NCI) — domínio público, via CDC Public Health Image Library (PHIL nº 18406).

Exemplo de lesão com assimetria, bordas irregulares e variação de cor. Imagem: National Cancer Institute (NCI), www.cancer.gov – domínio público.

A regra ABCDE não substitui o exame médico. Ela serve para ajudar você a perceber quando algo está diferente e buscar avaliação no momento certo.

O sinal do "patinho feio"

Outro conceito útil é o do patinho feio. Em geral, as pintas de uma mesma pessoa se parecem entre si. Uma lesão que destoa das demais, seja por cor, tamanho ou formato, deve ser examinada, mesmo que não preencha os critérios da regra ABCDE.

Nem todo câncer de pele começa como uma pinta

É comum associar o câncer de pele apenas a pintas escuras, mas existem diferentes tipos:

  • Carcinoma basocelular: o mais comum. Pode aparecer como uma pápula rosada ou perolada, uma ferida que não cicatriza ou uma lesão que sangra com facilidade, geralmente em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas e pescoço.

  • Carcinoma espinocelular: pode se apresentar como uma lesão áspera, descamativa ou endurecida, às vezes com crosta, também em áreas fotoexpostas.

  • Melanoma: menos frequente, porém mais agressivo. Pode surgir em uma pinta pré-existente ou como uma lesão nova, e é justamente o tipo em que a regra ABCDE é mais útil.

Por isso, além das pintas, merecem atenção feridas que não cicatrizam em cerca de quatro semanas, manchas ásperas que persistem e lesões que sangram sem motivo aparente.

Quem precisa de atenção redobrada

Algumas características aumentam o risco de câncer de pele e indicam a necessidade de acompanhamento mais próximo:

  • pele, olhos e cabelos claros, com facilidade para se queimar;

  • histórico de queimaduras solares, especialmente na infância;

  • grande número de pintas ou pintas atípicas;

  • histórico pessoal ou familiar de câncer de pele;

  • exposição solar frequente por trabalho ou lazer;

  • uso de câmaras de bronzeamento artificial no passado;

  • imunossupressão, como em pessoas transplantadas.

Ter um ou mais desses fatores não significa que a doença vai aparecer, mas reforça a importância da prevenção e das consultas regulares.

Como é feita a avaliação no dermatologista

A consulta começa com uma conversa sobre histórico, hábitos de exposição solar e mudanças percebidas. Em seguida, o dermatologista examina a pele de forma completa, incluindo áreas que costumam passar despercebidas, como couro cabeludo, plantas dos pés, entre os dedos e regiões de difícil visualização.

Dermatoscopia

A dermatoscopia é um exame não invasivo, feito no próprio consultório, com um aparelho que amplia a lesão e permite observar estruturas que não são visíveis a olho nu. Ela ajuda o médico a diferenciar lesões benignas de lesões suspeitas com mais precisão.

Close de pinta pigmentada na pele em avaliação dermatológica
Imagem: National Cancer Institute (NCI) — domínio público, via CDC Public Health Image Library (PHIL nº 18411).

Dermatoscópio. Imagem: Wikimedia Commons.

Acompanhamento e biópsia

Em pacientes com muitas pintas ou maior risco, o dermatologista pode indicar o acompanhamento periódico com registro fotográfico das lesões, o que permite comparar mudanças ao longo do tempo.

Quando uma lesão é considerada suspeita, pode ser indicada a biópsia ou a retirada da lesão para análise anatomopatológica. É esse exame que confirma ou descarta o diagnóstico. A conduta é sempre individualizada, de acordo com a avaliação clínica.

Autoexame: como fazer em casa

O autoexame é simples e pode ser feito uma vez por mês:

  1. Escolha um local bem iluminado, com espelho grande e um espelho de mão.

  2. Observe o rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo (um secador ou pente ajuda a afastar os fios).

  3. Examine braços, mãos, unhas e entre os dedos.

  4. Olhe tronco, abdômen e, com o espelho de mão, as costas e as nádegas.

  5. Finalize com pernas, pés, solas e espaços entre os dedos.

Fotografar pintas que chamam sua atenção, de preferência com uma régua ao lado, ajuda a perceber mudanças e a relatá-las na consulta.

Prevenção: o cuidado que começa todos os dias

A principal medida de prevenção é a proteção solar consistente:

  • usar protetor solar diariamente, inclusive em dias nublados, e reaplicar ao longo do dia;

  • evitar exposição direta ao sol nos horários de maior intensidade, entre 10h e 16h;

  • usar chapéu de abas largas, óculos escuros e roupas com proteção UV;

  • não utilizar bronzeamento artificial;

  • redobrar o cuidado com crianças.

Em uma cidade como São Paulo, em que muitas pessoas se expõem ao sol no trajeto diário, na prática de atividades ao ar livre ou no trabalho, a proteção não deve ser lembrada apenas nas férias de verão.

Quando procurar o dermatologista

Procure avaliação se você notar:

  • uma pinta que mudou de tamanho, cor ou formato;

  • uma lesão nova que parece diferente das outras;

  • coceira, dor ou sangramento em uma pinta;

  • uma ferida que não cicatriza;

  • uma lesão áspera ou descamativa que persiste.

Mesmo sem nenhum desses sinais, uma avaliação periódica da pele é recomendada, especialmente para quem tem fatores de risco.

Perguntas frequentes

Toda pinta que coça é câncer?

Não. Pintas podem coçar por atrito, irritação ou ressecamento. Mas coceira persistente, principalmente associada a outras mudanças, deve ser avaliada.

Retirar uma pinta faz ela "virar" câncer?

Não. A retirada feita por médico, com indicação adequada, não transforma uma lesão em câncer. Pelo contrário, permite o diagnóstico preciso por meio da análise do material.

Pessoas de pele negra podem ter câncer de pele?

Sim. O risco é menor, mas existe. Em peles negras, o melanoma pode surgir com mais frequência em áreas como plantas dos pés, palmas das mãos e unhas, o que torna o exame completo ainda mais importante.

Com que frequência devo consultar o dermatologista para avaliar as pintas?

Depende do risco individual. Pessoas com muitas pintas, histórico familiar ou pele muito clara podem precisar de acompanhamento mais frequente. O dermatologista define o intervalo adequado para cada caso.

A dermatoscopia dói?

Não. É um exame rápido e indolor, feito com o aparelho apoiado sobre a pele.

Conteúdo de caráter informativo, que não substitui a consulta médica.

Dr. Guilherme Augusto Linzmeyer

Médico dermatologista – Centro da Pele, São Paulo

Se você notou alguma mudança em uma pinta ou deseja fazer uma avaliação preventiva da pele, a equipe do Centro da Pele, na região do Morumbi e Vila Andrade, está à disposição para agendar sua consulta.

Imagem de capa: pinta comum, sem variação de cor. National Cancer Institute (NCI), www.cancer.gov – domínio público.

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